Anúncio mulher transgressora





do restaurante.
Eu sou essa tia da carta incompleta, que enlouqueceu porque sabia o que viria a seguir, apesar de não estar escrito.
É uma máquina avariada, que dá rateres como válvulas entupidas ou artérias desaguizadas.
Foste-me leve e fácil, sempre e só preliminares, como a cerveja que bebias antes de me enfiares a língua, tic tac tic tac, e o relógio começar a contar.Como se cada amantíssima jogada não fosse interesseira e bajuladora para sentirmos, no fim, o gosto da vitória, um açambarque de piratas, por ora pertences-me, tenho-te onde quero, rebolo-me no teu ser.Soberania Naquele dia, no meio do jantar, eu dá incontri rígido contei que tentara pegar na bunda do vento mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar.Sou a que arrasta multidões, a que quando fala os outros baixam as orelhas, a que tem histórias para contar, teses para defender e pontos de vista para demonstrar, catedrática e exegética.



Sou qualquer coisa judiada de ventos.
(September) O que me afasta de ti não é o medo de querer que fiques.
Sou palavras que se trocam, raciocínios descabidos, piadas sem graça nenhuma e pernas sem poiso certo que me vão sobrando por debaixo da mesa.
Pois se até nem estávamos mal, tu à larga na cama vazia, eu à vontade no sofá da sala; pois se até te sentias mais livre, instalado no meu desinteresse pelas tuas passeatas tardias; e se eu, aliviada, por já nem dares pela gula.
Às vezes caminhava como se fosse um bulbo.Só uso minhas palavras para compor meus silêncios.O que escreves, lê-se.Daí que também a vó me ensinou a não desprezar as coisas desprezíveis E nem os seres desprezados.Que nos resta?, senão o silêncio no carro, os carinhos esquivos que entremeiam o sexo, repetido e inócuo, as escolhas do dia, a rotina que nos sustenta, hoje passeio o cão e tu, despejas o lixo, eu ao supermercado e tu, compras cigarros?Faço-o sem qualquer expectativa romântica ou intuito amistoso: és menos do que um amante e mais do que um amigo.Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.



Apetece-me dar-te várias voltas, conhecer-te de todos os ângulos, descobrir-te e explorar-te como se fosse a primeira a fazê-lo, como uma daquelas expedições pioneiras ao árctico em que no fim morre tudo, numa catarse impossível de ser resgatada.
Queria garantir-te que, comigo por perto, nada ninguém nunca poderá fazer-te mal, que podes fechar os olhos, descontrair os músculos, deitar para o lixo todos os químicos que agora te permitem a posição vertical e fingires para os outros que.

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